Retalhos de Gilda

Escrever é um vício.

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NO PAIN, NO GAIN
“NO PAIN, NO GAIN”
“No pain, no gain”. Sem dor não há ganho. Estive meditando em cima da ideia de superação, da caminhada em espiral, elevando o nível a cada vez que passamos por um determinado ponto. Também sobre projetos e objetivos, principalmente nesta pandemia, que nos tirou todos os parâmetros. Fica difícil, quando nos recordamos de nossa rotina em 2019, nos abstermos da convivência com quem amamos, ou de visitar lugares que gostaríamos de conhecer. Parece que o que era bom nos foi tirado. No entanto, eu posso afirmar que, por causa da pandemia, tive que modificar comportamentos e atitudes, que agora se tornarão definitivos, porque os ganhos físicos e emocionais foram muito grandes.
Posso fazer um paralelo entre este ditado em inglês e a graça de Deus. No Evangelho de São Mateus (Mt7, 7-8) está escrito: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á”. Parece, a muita gente, que Deus não distribui sua graça a todas as criaturas. Que a misericórdia de Deus fica esperando o pedido para, generosamente, concedê-lo. Que Deus seria este que discriminaria as pessoas e só beneficiaria àqueles que o buscam?
De certa forma isto acontece, mas com outro enfoque. Se não estou doente, o meu clínico não vai me prescrever, aleatoriamente um remédio, mesmo que, com o conhecimento dele a respeito da minha saúde, ele ache que seja bom para mim. Para todo retorno, seja de graça ou de medicamento, deveria haver um movimento inicial da minha parte. Se o objetivo é perder peso devemos procurar os meios e as pessoas que podem ajudar a obter isso. Ir além: colocar empenho e executar o que foi prescrito, aconselhado.
Da mesma maneira acontece com a graça de Deus. Um ateu, mesmo precisando dela, não vai pedi-la. Faz sentido o Senhor beneficiá-lo da mesma forma que ao crente? Seria injusto.
A superação das crises começa com a constatação das mesmas e o esforço inicial, ou seja, o desejo de resolvê-las. Requer de nós uma análise, uma busca de conhecimento sobre o assunto e, talvez, de alguém para orientação do método e meios adequados, para o objetivo final.
A pandemia exigiu de nós, além dos cuidados para evita-la, esforços no sentido de equilibrar o nosso emocional, por tanto tempo, para não cair em depressão. Eu fui buscar, nos meus talentos artesanais da juventude, uma bengala que me acompanhou no trajeto. Ao mesmo tempo cuidava de gerenciar os exercícios físicos, a alimentação e o lazer. O resultado foi um exame de sangue como há muito tempo não obtinha.
Volto à graça de Deus: é uma promessa de que nos será dado o que precisamos. A única condição é nos dirigirmos a Ele e pedir. Mas, nem sempre sabemos o que é bom para nós e, se o que pedimos não nos trará felicidade, certamente não obteremos. Não porque Deus nos negou um pedido, mas porque Ele nos ama e quer sempre o melhor para nós. Eu creio nisso e estou vivendo agora, em plena pandemia, o melhor momento da minha vida.
Gilda Porto
Enviado por Gilda Porto em 26/07/2021
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