Retalhos de Gilda

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A fábula do fermento
A FÁBULA DO FERMENTO


Lc 13, 18-21.
Participando de uma reunião religiosa, fomos convidados a contemplar o trecho do Evangelho de São Lucas (Lc 13, 18-21) sobre a parábola da mostarda e do fermento. Foi muito engraçada a minha reação; depois que li  os versículos citados, imediatamente me imaginei como sendo o fermento. Estava guardado em um  armário da cozinha, quando, empregados apressados entraram no recinto, e pediram que a cozinheira , e seus ajudantes, preparassem massa para assar alguns pães. Haviam chegado inesperadamente visitas e a dona da casa pretendia servir um lanche. Trouxeram um enorme saco de farinha, ovos, leite e o mais necessário para a  tarefa.
Eu, dentro do armário observava tudo e, para me fazer de importante e rogado, me escondi por detrás de uma caixa de biscoitos. Todos procuravam pelo fermento.
- Está no armário, dizia a cozinheira.
- Já vi no local que você indicou e não encontrei, falou o primeiro ajudante.
- Na segunda prateleira,ao lado dos biscoitos e das torradas, tornou a falar a Mestre Cuca.
- Vou procurar, se prontificou a arrumadeira, que veio para buscar os pratos e talheres para o lanche.
Assim ela fez e, eu imóvel, fiquei no meu esconderijo
- Vai ver que acabou e não compramos outro para substituí-lo, ela falou, quando não encontrou o fermento no local indicado.
Eu fiquei radiante com a minha importância. Estava movimentando todos os empregados da casa.
Na impossibilidade de fazer massa levedada, a cozinheira decidiu assar pão árabe, que não leva fermento. Esta decisão foi um choque para mim. Tudo que eu imaginara para me tornar importante foi por água abaixo. Fiquei profundamente decepcionado, frustrado mesmo. Tomei uma decisão para tentar salvar a situação: saí detrás dos biscoitos e pulei no chão da cozinha. Alguém passou e exclamou: “Olha aqui o fermento, no chão! Por isso vocês não o achavam no lugar indicado. Me pegaram, me adicionaram à massa que já estava quase pronta. Amassaram e sovaram bem, batendo contra a mesa de mármore. Depois colocaram tudo numa bacia e cobriram com um pano que abafasse, e para que eu fizesse efeito. Depois de um certo tempo o volume dobrou e a massa foi colocada em formas e levadas para um grande forno a lenha. Sumi na massa e deixei de ser eu. Quando o pão ficou pronto, foi  levado à mesa, fumegante, corado e cheiroso. As visitas se admiraram, partiram os pedaços, passaram manteiga, que logo se derreteu, e o provaram.
-  Que delícia de pão! Como está fofo e saboroso, disse alguém.
Fiquei todo prosa, até ouvir a continuação do comentário:
-Tão macio e delicioso assim, só pode ter sido feito com farinha de boa procedência!!!!!!
MORAL DA ESTÓRIA: "Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado".
Não fui humilhado, foi pior, fui totalmente ignorado!
Gilda Porto
Enviado por Gilda Porto em 04/07/2010
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